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Alargando as Estacas...

Julho 2017 Por Marta de Almeida Carreira

Um sonho nasceu no coração humano há cerca de 3 anos… na cerimónia de comemoração dos 30 anos da ABLA, em 2014, a nossa directora, Telma Teixeira, referiu o sonho de ter uma casa para acolher mulheres em situação de risco: ex-reclusas, mulheres sem habitação por percalços da vida, com ou sem filhos, mulheres vítimas de violência doméstica ou outros casos de vulnerabilidade social. A Câmara Municipal de Cascais rapidamente demonstrou disponibilidade em ceder um apartamento para este fim. O tempo foi passando, e por circunstâncias várias apenas três anos depois o sonho tem tomado forma. A Casa do Farol, no centro da freguesia da Parede, é uma realidade. Um apartamento decrépito, foi totalmente restaurado, tornado acolhedor e preparado para abrir a porta a mulheres também elas em “cacos”.

A ABLA tem assim uma nova valência social, a comunidade de inserção, que visa promover o acolhimento e acompanhamento destas mulheres (e dos filhos menores a cargo), investindo nas suas competências pessoais, sociais, profissionais e parentais para a sua autonomização e consequente reinserção na sociedade. A Casa do Farol, inaugurada no passado mês de Maio, com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Cascais e outros dignos representantes do concelho, é agora um apartamento renovado, onde mulheres entram com pouca ou nenhuma esperança mas encontram ali um lugar de refrigério no meio da tempestade da vida.

O nosso desejo é que mais que uma comunidade de inserção, seja uma casa de transformação, onde Deus trabalhe, molde e ajudemos estas mulheres a construírem um projecto de vida que lhes permita contribuir para uma sociedade mais justa, onde possam desenvolver plenamente as suas potencialidades físicas, emocionais, cognitivas e espirituais.

Contudo, Deus faz sempre muito mais além daquilo que pedimos ou pensamos, por isso no final de 2016 surgiu-nos um outro espaço, doado por um benemérito alemão sem descendentes, o qual de imediato sonhámos para o mesmo objectivo. Uma vivenda na freguesia de Colares, concelho de Sintra, com um enorme espaço exterior, com vista para o Palácio da Pena de um lado e para a Praia Grande do outro. Novamente encontrámos um local um pouco abandonado, com muito mato, picos e vegetação invasora que tapavam a verdadeira beleza daquele espaço. Mais uma vez, a nossa equipa de jardineiros e da manutenção abraçou o desafio e em três semanas cortaram, cavaram, limparam aquele que se tornou um jardim, simples, tranquilo, acolhedor com espaço para lazer, para pensar e reflectir, ouvindo apenas os pássaros que ali têm também o seu ninho. A Casa da Âncora, assim designada, acolherá mulheres também elas cheias de espinhos, marcadas pelas agruras da vida, por decisões erradas ou pelas tempestades em que não tiveram âncora para se agarrar. Mulheres cheias de máscaras, usadas como proteção por tudo aquilo que já viveram. Planeamos inaugurá-la em Novembro, pronta para recebê-las!

Tal como a mulher samaritana junto ao poço, Jesus também conhece bem a história de vida de cada uma das mulheres que vai entrar pelas nossas portas… e também a estas mulheres queremos dar a conhecer a água e o pão da vida: um Deus que não as vai deixar em nenhum momento, um Deus que conseguirá restaurar corações feridos e almas magoadas. Um Deus de amor que deu o Seu único filho por cada uma delas!

Temos investido nestas casas tempo, oração, dinheiro, recursos humanos... contamos consigo para investir em oração por cada uma das pessoas acolhidas e pela equipa que as acompanhará. Não tememos novos desafios por sabermos quem está connosco e nos capacita. Pedimos sabedoria e provisão ao Pai porque afinal Ele nos diz: “Não to mandei eu? Esforça-te e tem bom ânimo!” (Josué 1:9a)

Abraçamos uma causa e é o amor do Pai, servindo os outros, que nos move. Esta é apenas mais uma forma de o fazer e assim trabalhar com um novo público. Que possamos mostrar a cada uma destas mulheres a Palavra de Deus para as suas vidas: “Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” (Jeremias 29:11)